O que podemos aprender com Holanda
Entrar
Registo
Início
Bicicletas
Acessórios
Pacotes
Carrinho
Blog
Empresas
Sobre
Contactos
Blog
Test-Drive
Empresas
Sobre
Contactos

O que podemos aprender com Holanda

As bicicletas são um dos símbolos mais conhecidos da Holanda, mas sabia nem sempre foi assim. A Holanda já foi um país com muitos carros, com muitas estradas, com muitas faixas de rodagem e muito trânsito. Agora, é um país conhecido pela sua eficiência de mobilidade e com uma rede de ciclovias super avançada.

Num país com cerca de 17 milhões de habitantes, são feitas cerca de 4.5 mil milhões de deslocações de bicicleta por ano, o que equivale a 265 deslocações por habitante. Isto significa que cada holandês pedala em média 878 quilómetros num ano o que equivale a cerca de 15 mil milhões de quilómetros pedalados por toda a população. Para um país com 1/3 do tamanho de Portugal, estes números são impressionantes e deveriam de fazer inveja à maioria dos países da Europa.

Estudos mostram que dentro dos centros urbanos, em distâncias até 7 km, em média, a bicicleta é mais rápida que o carro. A verdade é, que, com um sistema tão eficiente de ciclovias como o da Holanda, existe um aumento na velocidade média em 5% no tempo de deslocação dentro dos centros urbanos, em comparação com o automóvel. Em comparação, em Portugal, muitas vezes olhamos para a bicicleta como um meio de transporte muito mais lento que o automóvel, mas na verdade, o que realmente acontece é o contrário. Então mas o que aconteceu para que a Holanda mudasse de atitude? Porque é que a bicicleta é o meio de transporte de eleição para a maioria dos Holandeses? Como é que outros países, como por exemplo Portugal, podem seguir as mesmas pisadas?

Nos dias de hoje a bicicleta é utilizada regularmente pela maioria dos holandeses por ser um meio de transporte muito mais prático do que o carro. Pelo facto dos preço dos combustíveis na Holanda serem dos mais altos da Europa, devido às altas taxa impostas pelo governo, as deslocações de carro são evitadas e a população procura formas alternativas de se moverem na cidade. Além disso, os altos preços de parqueamento para automóveis, dentro dos centros urbanos, motivam a população a não tirar o carro da garagem e a se deslocarem de bicicleta.

Para além desses motivos todos, as infraestruturas de ciclovias na Holanda têm excelentes condições, estão muito bem preparadas e muito bem estudadas para que a bicicleta tenha vantagem face ao carro e que quem ande de bicicleta não sinta dificuldades em se deslocar pela cidade. O objectivo é mesmo o incentivo ao uso de meios de transporte mais sustentáveis, tanto para o ambiente como para a população. Promove-se um mundo mais verde enquanto promovemos a nossa própria saúde!

Holanda e as Bicicletas (Fietsen)

Após a 2ª Guerra Mundial, a Holanda era um país fraco e muito afectado pela guerra. Cidades inteiras tinham sido destruídas e outras bastante danificadas. O país teve de ser reconstruído de raiz. O automóvel começou a ser utilizado cada vez mais, à medida que a economia se reestruturava. Mais estradas e auto-estradas eram construídas e a bicicleta começou a ser colocada de lado pelos arquitectos urbanos que planeavam as novas cidades.

Por volta dos anos 70, a câmara de Amesterdão decidiu construir várias vias de grandes dimensões que passavam pelo meio da cidade, mas para isso seria necessário destruir certas partes habitadas da cidade. Para além disso, o plano era construir grandes centros comerciais nos arredores de Amesterdão. Com tudo, a população estava descontente com os planos. Para além de destruir casas habitadas, as obras iriam destruir o poder do comércio local. Muitas lojas locais teriam de fechar ou seriam mesmo destruídas. Seria mais fácil para os habitantes deslocarem-se aos arredores do que ao centro da cidade. A somar ao caso, o número de mortes por atropelamento, aumentou drasticamente, principalmente o de crianças, o que chocou muitas famílias. As ruas deixavam de ser seguras e isso revoltou mães e pais que ainda queriam levar os filhos de bicicleta ou a pé. Por todos estes motivos, criou-se uma grande revolução pela parte da população, que durou alguns anos e que fez com que os planos urbanos fossem alterados, para que o desenvolvimento fosse feito dentro dos centros urbanos e não fora. O carro tinha de ser opcional e não obrigatório.

Desde de então, a utilização da bicicleta não abrandou. Mesmo sendo um país em que 25% das deslocações são feitas de bicicleta (comparando com os 2% de Portugal), o governo continua a incentivar as pessoas a largarem o carro e a irem para o trabalho de velocípede. Como consequência, acredita-se que as baixas taxas de obesidade, os baixos números de mortes por doenças de coração e os altos níveis de felicidade sejam devidos à alta utilização da bicicleta. Está mais que provado que a bicicleta é um excelente meio de transporte que pode ajudar pessoas com diabetes, com colesterol e com depressão. Talvez tenhamos de escolher entre o que nos é mais conveniente e mais confortável, pelo o que é mais saudável, melhor para o ambiente e mais economizador.

Bicicletas em Portugal

Em Portugal, a bicicleta é utilizada, maioritariamente, de forma recreativa e não tanto como meio de transporte. Utilizamos a bicicleta esporadicamente e esquecemo-nos dos benefícios e vantagens que as duas rodas e os dois pedais podem-nos oferecer. Olhamos para o automóvel como uma necessidade e não como uma opção. Não damos valor a um meio de transporte que já existe há 3 séculos e já Leonardo Da Vinci havia desenhado um protótipo muito idêntico às bicicletas de hoje em dia. Ultimamente vemos cada vez mais pessoas a trocarem o carro pela bicicleta, mas ainda não é o suficiente para vermos as grandes vantagens que esta cultura nos pode trazer.

Para que a mentalidade dos portugueses mude, é necessário, antes de tudo, criar as condições necessárias, para que os utilizadores de bicicleta se sintam seguros. Um dos motivos mais frequentes que ouço das pessoas, para não usarem a bicicleta diariamente, é a questão da segurança. É quase uma obrigação construir vias próprias para bicicletas, para que a população mude de mentalidade. A segurança foi uma das principais razões pela qual os Holandeses se revoltaram contra o governo e devia ser a principal motivo de preocupação, para haver mais pessoas que procuram métodos alternativos de mobilidade. Não é dando o corpo às balas (neste caso aos carros) que se deve mostrar que há a necessidade para ciclovias. A iniciativa deve partir dos governos, com o objectivo de melhorar a mobilidade de um país e de reduzir os altos custos de manutenção das vias de automóveis, dentro das cidades. Porém, também é necessário haver um certo descontentamento do público para que os governos se sintam obrigados a mudar!

As ciclovias podem ter um custo inicial que parece desnecessário, mas ao fazer com que a população opte pela bicicleta em vez do carro, está-se a cortar vários custos, a melhorar a qualidade do ar que respiramos, a incentivar o mercado local, a desenvolver os centros urbanos, a melhorar a saúde dos habitantes e a dar uma nova vida às cidades.

O nosso futuro e o futuro dos nossos filhos só depende de nós e grande parte dos nossos governantes. Se houver uma grande vontade do público na utilização da bicicleta como meio de transporte, não existe outra alternativa para os nossos governantes do que criar as condições adequadas para pedalarmos em segurança. É necessário que haja a vontade do lado da população e que os nossos governantes se apercebam dessa vontade.